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A informação é pública

25 março 2009 225 views 2 Comments

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mao

Irreversível. Vai ter briga ainda. Carinha acaba de ser preso e saiu sob fiança de 50 mil dólares por violar as leis do copyright. É pra assustar. Mas é capaz de virar mito. Incontrolável. Deliciosamente incontrolável.

Todo mundo tem o direito à informação. E graças à internet, os feudos estão acabando. Hoje o mérito não é ter informação e sim saber peneirá-la. Hoje informação é comoddity. E vivemos em um vácuo de gerações. Gente que ainda guarda arquivo do word no cofre e carinha que distribui seus desenhos pra quem quiser. A indústria fonográfica fica preocupada. A indústria farmacêutica ameaça brigar com o Brasil na OMC em função da quebra de patentes dos remédios contra a AIDS. O linux cresce.

Antes a fórmula da coca-cola era um mito. Só duas pessoas sabem … blábláblá. Essa era acabou. Hoje sabe-se a fórmula e a coke sabe que não tem pra ninguém na sua estratégia agressiva de distribuição e marketing. A fórmula você puxa na web. A estratégia de marketing ? Muita, muita grana.

Antes, o chefe era aquele que sabia o salário de todo mundo, e quais as estratégias secretas, os planos B, quais e onde os caixas 2. Hoje assistente ajuda o chefe. Hoje chefe nem sabe que assistente fofoca pelo ICQ com a secretária do concorrente.

Antes governo tinha a verba e população tinha a fila. Hoje governo presta contas, visita a planilha quem quiser. ONG se dedica a vigiar governo. Governo sai na mídia. Descobre-se que desviou. Hoje até juiz é preso. É pouco, mas é o começo.

Antes ditador ditava as regras e fechava jornais e rádios. Hoje hacker ajuda a população avisando ao mundo que o Milosevic é canalha porque tem rádio na web que alertou ao mundo suas barbaridades. Graças aos hackers. E tem fotos mostrando manifestante sendo torturado. E tem carinha avisando que ACM plagiou. Até tu, ACM ?

Carinha tem que perceber uma coisa: A informação está aí. Faça o que quiser com ela. Plagie. Misture. É a era do sampler. Grandes corporações pegam artista ingênuo pra defender a classe. E aparecem na TV com a boca fechada enquanto a Madalena compra CD do Daniel no Largo de Pinheiros. De baixa qualidade, que conste. Mas dentro do orçamento da Madalena.

Microsoft chama software copiado de pirata. Maquiavélica inversão de valores. Pirata é o Bill Gates, que com suas naus tenta monopolizar o oceano. Mas tem muito barquinho por aí. E barquinho oferecendo peixe fresco. É o bazar dos pescadores vendendo à beira da catedral microsoft.

E essa informação pública tem que se tornar ideologia. Porque assim governo para de esconder informação que é pública. Quero saber quantas empresas foram multadas porque penduraram faixas nas avenidas. Quero a folha corrida de cada deputado, cada vereador. Quero a lista dos convênios do governo com as pilantrópicas. O acordo com o FMI, os projetos de lei, os que votaram contra, os que votaram a favor, os que não foram. Algumas informações já estão aí, estão fáceis. Outras, mais difíceis, mas a gente acha. E as mais secretas estão pipocando. Porque carinha é sangue bom, descobre e publica na web.

E vem carinha perguntando o que vai acontecer com os artistas. Oras. O de sempre. Artista se vira porque é artista. E ganha mais dinheiro com show em Itupeva do que a temporada no Palace. Pergunta pra eles. Eles confirmam. Mas não querem (não podem) falar sobre isso. Está no contrato. Secreto.

E tem gente que vai dizer que a literatura, desse jeito, vai acabar… Faça-me o favor. O bazar do sebo não acaba com a catedral editorial. Só convivem. É cômodo achar o último lançamento na livraria. E é divertido achar um título curioso no sebo. Só isso. Convivem.

Blockbuster não morrerá porque mãezona copia filme do Rei Leão da vizinha. A Sony Music não vai morrer porque gravei aquela música do rádio. Mas diretoria da Sony diz que vai morrer. Então que morram. Ou aprendam. Indústria tem que entender a mudança. Governo tem que entender. Quero a informação Queremos o código. Não vão dar pra gente ? Tudo bem, a gente se vira.

Me fala um segredo que precisa ser guardado a sete chaves. Me conta uma informação que significa segurança nacional. Não tem. Abram o jogo ou a gente abre.

Não caia no conto do pirata, do hacker sacana, do plágio. Não entre na onda dos direitos de autoria. Os direitos são da humanidade. Mudança de paradigma. Quem quiser sentar na fama da autoria vai durar quinze minutos. Crie-copie-recrie toda hora. Essa é a arte, esse é o código. A informação é de todos nós. O show é a obra, não a partitura.

Vão achar o deputado que rouba, vai circular nas listas de discussão, vão publicar nos blogs. Vai sair na imprensa. Vão abrir CPI, vai haver pressão. Vão mandar email pra deputado votar a favor. Vão entupir caixa postal. Informação é pública. Transparência é principio. A rede pressiona. Copyleft; Quer apostar ?

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2 Comentários »

  • Mari-Jô Zilveti said:

    Seu post me lembrou um debate mediado pelo Lobão com a presença dos oficiais da indústria da música, Marcelo Branco e Sérgio Amadeu. E olhe que esse músico já defendeu a livre distribuição de canções. Eu assisti, twitei e depois cansei.
    E quando sua filhota tiver 12 anos, você vai ver. A minha mais velha já baixou livros e mais livros porque eu me recusei a comprar sub-literatura. Eu lhe disse com todas as letras: “Se a tua primpa não quer te emprestar, não posso fazer nada. Se vira, porque não vou comprar mesmo”. Ela foi ao Orkut, descobriu o link, e o hd já tem os quatro livrecos ou cinco que “12 entre 10″ pré ou adolescentes estão lendo. Nem preciso dizer o nome!
    Beijocas de zeros e uns nas bochechas ana-lógicas,
    Mari-Jô Zilveti

  • admin (author) said:

    Legal, mari jo! Esse meu post é um artigo que publiquei no Novae em 2001. Só agora fui relê-lo e achei engraçadas algumas coisas que escrevi e morreram desde então: Palace, BlockBuster, Milosevik, ACM … Viu como coisa ruim morre? :) )

    E falando de filha: a minha vai comigo comprar da Miriam (nossa fornecedora oficial de DVDs piratas, aqui ao ladod e casa) todos os high school musics da vida… Temos que ensinar direitinho né?

    beijos mis,

    me

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