A blogosfera e o mar de flores
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Estava lendo mais um dos excelentes textos do Augusto de Franco lá na escola de redes, intitulado A blogosfera como rede distribuída. Esse debate me remete a 2001, quando eu era blogueiro heavy-user e junto com o Hernani, ficávamos trocando idéias sobre o que era aquela ainda incipiente blogosfera. Um dos textos que sairam dessas nossas conversas foi a Network de Egotrips.
Respondi ao Augusto por email, mas faço aqui um resumo:
“…bem, uma das coisas a comentar é sobre a blogosfera ado, ado, cada um no seu quadrado: é isso. será isso, muito provavelmente, por muitos e muitos anos, amém. é a network de egotrips, o coletivo de monólogos. veja o video sobre o twitter que te mandei. é isso. mas o que se faz com isso? além de nada, se pode fazer algo.
esse algo, quem me deu a luz foi o david, quando falou do mar de flores. essa coisa dele ir contra o tal rankismo é do cacete. e é mudança de paradigma. perceba que comentaste muito sobre os famosos blogueiros… ora, que se danem! eles seguem uma lógica broadcast porque existe também um público cativo que quer ser platéia. são feitos um para o outro. mas se analisarmos o mar de flores da blogosfera, veremos que os broadcasters representam menos de zero virgula um por cento, ou seja, nós também alimentamos o broadcast falando mais deles do que eles de fato são, no ranking. eu por isso, optei por não falar mais de nenhum grande (aliás nem os leio). eles não são objeto de estudo da escola de redes. o objeto de estudo é o mar de flores.
e citas a fama como indicador de sucesso. é. esse parâmetro é o do velho paradigma. a fama alimenta o broadcast que alimenta a fama. danem-se. existe agora crescendo organicamente nos confins da blogosfera a ética hacker, que funciona pela reputação, algo bem diferente da fama. a reputação vem pelo que doas, pelas linhas de código que fazes nas madrugadas e ofereces para os demais usuários do software livre que estás montando com outras dezenas de milhares de hackers. como diz o hernani, estamos todos polindo bytes. isso é artesanal. e tua fama cresce a medida que teus dons vão sendo mostrados, tuas linhas limpas de código de programação. tuas dicas certeiras nos fóruns sobre problemas a resolver, nos bugs dos softwares. na blogosfera isso se espelha na reputação que algum blogueiro acumula ao oferecer-se como especialista, em canetas, em submarinos, em meias de seda, em amenidades, futilidades, não importa. ele se esmera em ser o bom no assunto e sua a camisa pra elaborar posts interessantes e úteis, informações preciosas. somos todos artesãos.
então quando finalizas teu texto, falas dos bloggers, assim no geral. não misturemos os broadcasters com lindo mar de flores.
É isso. O que opinas Menelau?











Eu digo que sou seu fã, o que não quer dizer que vc seja meu hero, por razões que remetem ao coração da própria questão.
Eu me peguei esses dias mudando uns fios na minha cachola… pensando numa coisa sobre o que eu escrevia – era obviamente um monólogo, diário online, e eu num tava nem aí se vão ter muitas visitas ou se vão comentar, seguir no twitter, lecca piedi e o escambau.
Com isso nem tinha aberto os comentários até pouco tempo atrás. Agora abri, talvez porque tenha entendido isso direito e de uma vez.
O rankismo é filho da visão de que precisamos de um hero. Eu acho que estamos todos no broadcast – e quanto mais broadcast, mais bródicast. A diferença é quem coloca pra expressar e quem coloca pra impressionar.
We don´t need another heroes, bródi! yes!
Vale a pena que leias um trecho d´o poder das redes, do ugarte, que fala sobre a lírica e a épica. Aqui um post dele sobre isso: http://www.deugarte.com/la-lirica-la-felicidad-y-el-poder-de-las-redes
E aqui um trecho do livro: “Construir um lindo blog como escaninho de uma linda vida. Construir e cantar o construído. Por que, afinal, pode haver triunfo maior do que o de construir a felicidade a partir do pequeno?” (O poder das redes: manual ilustrado para pessoas, organizações e empresas, chamadas a praticar o ciberativismo, de David Ugarte, página 65).
Dá pra baixar em PDF.
E adorei a dica do vídeo! express, not impress! yeah!
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