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	<title>Comentários sobre: Tatibitate morta</title>
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		<title>Por: Anits</title>
		<link>http://www.estraviz.com.br/2009/04/16/tatibitate-morta/comment-page-1/#comment-891</link>
		<dc:creator>Anits</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 08:39:14 +0000</pubDate>
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		<description>Quando comecei a trabalhar em publicidade, me deram uma missão infeliz. Organizar as fitas Betacam que todos os escritorios da Ogilvy do mundo mandavam como referencia para a equipe que cuidava de Unilever. 

O armario que continha as fitas bordeava a lateral da maior sala de reuniões da agencia. Eram mais de 300 fitas e eu tinha que ver e classificar o conteúdo daquilo tudo. Típico abacaxi de estagiário. 

Passei duas semanas vendo como  franceses, japoneses e americanos vendiam sabão em pó. Variava o nível de machismo e clasismo. Nos Estados Unidos, as mulheres lavavam a própria roupa e ainda tinham tempo para trabalhar. Nas Suécia, quem lavava era o marido, e adorava. Na América Latina, quem lavava era a empregada. Nessa época, a clase C ainda não ganhava o suficiente para comprar sabão em pó.

Os profissionais da Unilever, todos extremamente inteligentes,  passavam horas e toneladas de dinheiro em pesquisa de mercado. Participei de varios_foi uma formação genial. Nunca imaginei  que as pessoas adorassem falar em sabão em pó. Amaciante, então, dá para um estudo sociológico. 

E mesmo com todo ese tempo dedicado a pensar no sabão em pó e no amaciante, mais de 70% das decisões de compra se tomavam no ponto de venda, mas entre 2 ou 3 opções que combinacam com o estilo de vida que o consumidor consideraba que tinha ou quería ter. 

Essa idéia de estilo de vida, numa porcentagem altíssima, provinha de horas e horas vendo comerciais e novelas. Sei não, acho essa liberdade do consumidor muito relativa.  Muda a forma, não o fundo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Quando comecei a trabalhar em publicidade, me deram uma missão infeliz. Organizar as fitas Betacam que todos os escritorios da Ogilvy do mundo mandavam como referencia para a equipe que cuidava de Unilever. </p>
<p>O armario que continha as fitas bordeava a lateral da maior sala de reuniões da agencia. Eram mais de 300 fitas e eu tinha que ver e classificar o conteúdo daquilo tudo. Típico abacaxi de estagiário. </p>
<p>Passei duas semanas vendo como  franceses, japoneses e americanos vendiam sabão em pó. Variava o nível de machismo e clasismo. Nos Estados Unidos, as mulheres lavavam a própria roupa e ainda tinham tempo para trabalhar. Nas Suécia, quem lavava era o marido, e adorava. Na América Latina, quem lavava era a empregada. Nessa época, a clase C ainda não ganhava o suficiente para comprar sabão em pó.</p>
<p>Os profissionais da Unilever, todos extremamente inteligentes,  passavam horas e toneladas de dinheiro em pesquisa de mercado. Participei de varios_foi uma formação genial. Nunca imaginei  que as pessoas adorassem falar em sabão em pó. Amaciante, então, dá para um estudo sociológico. </p>
<p>E mesmo com todo ese tempo dedicado a pensar no sabão em pó e no amaciante, mais de 70% das decisões de compra se tomavam no ponto de venda, mas entre 2 ou 3 opções que combinacam com o estilo de vida que o consumidor consideraba que tinha ou quería ter. </p>
<p>Essa idéia de estilo de vida, numa porcentagem altíssima, provinha de horas e horas vendo comerciais e novelas. Sei não, acho essa liberdade do consumidor muito relativa.  Muda a forma, não o fundo.</p>
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