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	<title>Estraviz &#187; Artigos_</title>
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		<title>Tatibitate morta</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 03:15:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E a revolução que se avizinha é discreta e coerente. Uma revolução do consumo onde "os consumidores" voltarão a ser o que sempre foram: "gente". As empresas que acordarem pra isso a tempo, permanecerão vivas. As outras? Que morram. Simples assim. Sem dó.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-78" title="redphone" src="http://www.estraviz.com.br/wp-content/uploads/2009/03/redphone.jpg" alt="redphone" width="300" height="275" /><em>Mercados Conversam = Empresas Morrem = A Humanidade Ri</em></p>
<p>Outro dia meu pedido do Submarino chegou sem o brinde. Tá certo que o CD era ruim, mas brinde é brinde. Liguei e comentei o que aconteceu. O rapaz solícito disse que o Submarino enviaria imediatamente o CD e pedia desculpas pelo ocorrido. Disse pro sujeito que não precisava gastar com uma nova remessa pois perderiam o lucro deles com esse novo envio. Que o CD poderia vir na minha próxima compra, afinal, não tenho pressa pelo CD e compro bastante com eles.</p>
<p>Silêncio do outro lado. 4 segundos de silêncio. Quando eu ia falar alô novamente, o garoto responde : &#8220;Não dá. O Submarino enviará o CD imediatamente e pede desculpas pelo ocorrido&#8221;. Falei &#8220;ok&#8221;, ia insistir mas fiquei com pena da cara de interrogação que o sujeito faria novamente e de sua impotência momentânea em frente a uma tela de computador sem aquela opção&#8230;</p>
<p>Humanos e máquinas não conversam. Ainda bem. Adoro comprar no Submarino quando tenho o nome do livro na cabeça. Mas se o livro está mais barato na Siciliano, compro lá, of course. Adoro também quando vou na FNAC ou na Cultura e, aí sim, fico olhando títulos, lendo a contra-capa &#8230; acabo comprando mais do que deveria e menos do que gostaria. Situações diferentes para prazeres diferentes. E-commerce ? Bull shit. Praticidade. Na hora da divagação consumista o melhor é livraria off line mesmo. Amigo meu já radicalizou e comprou até tapete persa pela Web. Outra amiga não entra nem em bank line. Cada um na sua. O bom é que nós 3 gostamos de um bom chopp.</p>
<p>Empresa pontocom ou pontomorto quer que sejamos seus clientes, prospects, target&#8230; Empresa acha que conhece a gente. E tem gente que se sente consumidor antes que cidadão. Conhece Procon mas não sabe o que é Ministério Público. Consome, logo, existe. Empresa entra nessa. Gente entra nessa. Mas gente conversa. Se você ainda não leu o Manifesto Cluetrain, leia.</p>
<p>Deixará de acreditar em fidelização de marca, marketing de relacionamento, Costumer Relationship Managment e coelhinho da Páscoa. As empresas? Que morram. Os consumidores? Que acordem pra vida.</p>
<p>Consumo é lazer e lazer é humano. Quantas vezes você comprou o Nescau na padaria da esquina mesmo sabendo que no Carrefour é mais barato? Quantos CDs você comprou porque ouviu na casa de um amigo?</p>
<p>E aquele restaurante que teu primo recomendou? E a máquina de lavar mais econômica da tua vizinha? E sabe que controle as empresas tem disso tudo? Nenhum. Somos livres. Livres! Vamos celebrar a abolição e queimar nossos cupons de desconto. Esse é o primeiro passo.</p>
<p>E antes que me rotulem de comunista anti liberal, já vou avisando que acredito na iniciativa privada, apoio os empreendedores, incentivo o crescimento empresarial. O lane é outro. Uma coisa é inovação dos mercados, outra é o que eles tem a ver comigo. Já leu relatório comercial? Se vê nele? Você acha que &#8220;as empresas&#8221; te enxergam? E aquele papo formal, numa carta comercial de quinta categoria, tipo &#8221; Ei (seu nome)! Veja a oferta que preparamos pra você!&#8221;. Argh. Tá certo que historicamente 2% dessas peças publicitárias geram vendas e que estas pagam o custo da mala direta e um baita lucro. Mas e os 98% que disseram veladamente &#8220;Não, muito obrigado.&#8221; Noventa e oito por cento! É gente pra dedéu avisando as empresas que não querem consumir o produto. Pô, com muito menos gente se faria uma revolução.</p>
<p>E a revolução que se avizinha é discreta e coerente. Uma revolução do consumo onde &#8220;os consumidores&#8221; voltarão a ser o que sempre foram: &#8220;gente&#8221;. As empresas que acordarem pra isso a tempo, permanecerão vivas. As outras? Que morram. Simples assim. Sem dó.</p>
<p>Não tenho pena de empresa que morre porque empresa não é gente. Oras. Esqueceu? O primeiro passo.</p>
<p>E pra não ficarmos no estilo apocalíptico, alguns bons exemplos:</p>
<p>Natura. Esses caras souberam fazer a coisa certa. Sabem porque as pessoas compram da Natura? Porque tem uma consultora que vai na tua casa e vende pra você. A consultora é tua vizinha, tua irmã, tua tia.</p>
<p>Entre um biscoito e outro ela te oferece o shampoo que é &#8220;a tua cara&#8221;. Essa brincadeira de formiguinha teve quase um bilhão de receita bruta em 2000 e são 425 mil vendedoras, consultoras e gente trabalhando. Os caras sabem fazer a coisa certa.</p>
<p>Outro exemplo : Amazon. Você vai falar &#8220;mas os caras não dão lucro, as ações deles caíram, são o totem da Nasdaq em queda, etc, etc.&#8221; só que você continua falando de negócios e eu quero falar de pessoas. Sintonizemos nossa conversa. Na Amazon você compra um livro amparado pelo carinha que o recomenda. Você entra no site e já te dão uma lista de livros baseada nas suas compras anteriores.</p>
<p>E quando chego no livro, por mais que a máquina tenha me ajudado, topo com um John Smith qualquer, humano, me avisando que o livro é legal ou não. A Amazon tem suas besteiras e mancadas, tá certo.</p>
<p>Mas em linhas gerais, é a que mais se aproxima desse jeito internet de comprar. Submarino está longe disso.</p>
<p>Outro exemplo, esse já clássico. Harley Davidson. Esses caras perceberam há muitos anos que quem vai indicar com mais legitimidade uma moto ou um acessório é o barbudo do teu lado e não &#8220;a empresa&#8221;. Investiram pesado em encontros, viagens, passeios. Injetaram &#8220;comunidade&#8221; no negócio e deixaram que os caras conversassem. Não ficaram falando &#8220;em nome da empresa&#8221;. Bancaram as coisas. Deixaram que as festas acontecessem. Pagaram as festas.</p>
<p>Mas tem carinha que confunde tudo. Com pós-graduação em sei lá onde e especialização em CRM, depois de tanto estudo, te manda cartinha tatibitate. Outro dia recebi uma hilária. Era da Intelig (quem?) e me &#8220;convencia&#8221; das grandes vantagens em usar seu prefixo (qual?), blábláblá. Numa oferta &#8220;exclusiva&#8221;, eu conseguiria um trecho da TAM (os caras que venderam meu nome pra Intelig&#8230;) se eu me inscrevesse ligando pra tal número. Não tive dúvidas. Liguei, me inscrevi, ganhei o trecho.</p>
<p>Obrigado Intelig ! Você acaba de me dar uma passagem pra Bahia !</p>
<p>É o primeiro passo nessa revolução. O segundo é o consumo crítico. O terceiro é a redução do consumo. Mas essas histórias eu conto depois. Estamos apenas conversando.</p>
<p>Mais um chopp?</p>
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		<title>O Cybermonge, A Arte e o Nirvana Estruturado</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Apr 2009 02:53:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para cada música um iluminado. Cada dança uma exaltação. Cada festa, um solstício. Para que todos os links caóticos comprovem o único. E que a energia universal alimente e despegue. Que as sinapses fortaleçam as cordas. Que as preces sejam música. Que as pedras sejam deuses, as árvores anjos, os prédios belos e os quadros brancos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-80" title="redshadow2" src="http://www.estraviz.com.br/wp-content/uploads/2009/03/redshadow2-150x150.jpg" alt="redshadow2" width="150" height="150" /></p>
<p>Quando a dança mexe o corpo e a letra dói no olho. Quando o quadro pinta nuvens e a música grita. No céu aparecem lentes de aumento. As árvores assobiam. Os tambores agradecem os latidos. As marcas d&#8217;água molham as plantas. As pedras limpam as chagas. Os ácidos injetam. As meninas loucas.</p>
<p>Antes do fim da noite aparecem os helicópteros libélulas. Antes do fim da festa, enquanto os homens andam na avenida, surgem ventos por entre as múmias. Do outro lado, as crianças brincam em máquinas pequenas coloridas. Na selva aparecem cybermonges que gravam os cânticos. No continente velho, jovens dançam nas madrugadas frias. Sentem o coração, bebem água, olhos secos. Percebem coisas, conexões, redes, links, uma coisa só.</p>
<p>Dadá vive. Remodelado. Mais colorido. Cheio de bytes. Amarrado com cordas, cabos, madeiras, tomadas, modems. Dadá morreu. Hiper-conectado. Morreu nas sinapses. Vive agora no caos. Dadá agora é universal. Passaram guerras. Passaram pontes. Agora é virtual. Nos olhos de quem vê, telas e mais telas. Música. Ecos. Raves.</p>
<p>Laptops no cerrado. Celulares. Ar puro. Cachoeiras. Caixas de som. Malabares. Noite. Sofás. Conexão Uno. Índia, África, celtas, índios, daime. Algodão e plástico. Cyborgs.</p>
<p>A cidade plantada. Os escritórios ocos e as saias. Os post its. As filas, os quilos. Os fins de semana. As danças, as drogas. Os gritos silenciosos. As  segundas e as terças. As reuniões, os aumentos. Os públicos-alvo. As vontades, os desprezos. Gargantas ditam relatórios estruturados.</p>
<p>Os viadutos, o frio. As favelas e os semáforos. Os roubos, os blindados. As praças sujas, os condomínios. Os shoppings. Os pés descalços, os vidros estilhaçados. Os bêbados, a raiva e a dor. A música no rádio. A propaganda, o trânsito e o trânsito.</p>
<p>A internet, as listas, os blogs, os chatts, os icqs. Os bobos, os espertos, as brigas. Os links, os silêncios. Os aeroportos cheios. Os quadros expostos. Os museus e os patrocínios. Os textos, os vazios e as visitas.</p>
<p>Antes que seja tarde, antes do fim da noite, é preciso o grito individual. Libertador e conectado. Côncavo. Partindo do chão e gritando pra cima, buscando links, explicações, retornos. Antes do amanhecer, o cybermonge gravará os sons do mundo. A arte significará.</p>
<p>Os artistas continuarão suas buscas, seus feitos. Auxiliarão na explicação significante. E para cada quadro, um espectador convicto.</p>
<p>Para cada música um iluminado. Cada dança uma exaltação. Cada festa, um solstício. Para que todos os links caóticos comprovem o único. E que a energia universal alimente e despegue. Que as sinapses fortaleçam as cordas. Que as preces sejam música. Que as pedras sejam deuses, as árvores anjos, os prédios belos e os quadros brancos.</p>
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		<title>O dia da estaca zero</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 16:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[11 de setembro será marcado como o dia estaca zero. Onde, ou tudo se transforma em espetáculo midiático ("o" espetáculo), ou então, e preferencialmente, as vidas passam a ser consideradas como o real valor. O dia que a economia humanizou-se. O dia que caiu a ficha. E o WTC.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-53 alignleft" title="1134_4" src="http://www.estraviz.com.br/wp-content/uploads/2009/03/1134_4.jpg" alt="1134_4" width="300" height="275" /></p>
<p>Inevitável o jogo de palavras. O artigo de hoje já estava pronto faz 3 dias. E eu conversaria sobre a periferia é o centro. Mas &#8230; inevitável. Porque ontem é o primeiro dia do resto de nossas vidas.</p>
<p>Estaca zero. Estamos todos embasbacados. Milhares de teorias começarão a pipocar. Desde as mais conspiratórias, estilo geração 68 e a guerra fria, passando pela simplória teoria dos árabes-kamikases, chegando ao fato básico, ridículo e moderno : não foi nada além de terrorismo interno. Oxalá seja isso. Apesar das repercussões, seria o melhor dos piores mundos que nos esperam.</p>
<p>E por que devemos rezar por essa hipótese ? Oras. Porque qualquer opção mais exótica causaria a guerra raivosa. Porque o terrorismo interno traz só (ainda que seja muito) o pânico, a quebra de paradigmas. O medo e a insegurança tão próprios do american way of life. E porque isso significará só (ainda que seja muito, repito) uma era Bush de armamento, de uma &#8220;gloriosa&#8221; nova época de investimentos militares e anti-terroristas, capazes até de catapultar novamente os EUA a um crescimento econômico que não se esperava antes do 11S (lembrem-se desta data, crianças. Porque 11 de setembro entrou para a história)</p>
<p>A questão é que a partir da óbvia constatação, os Q.I. 91 da era Bush podem preferir complicar o simples. Podem preferir não assumir a desonrosa constatação do terrorismo interno. Abafar a possibilidade de que alguns gringos como eles sejam os reais culpados e decidam, com aquele riso sarcástico texano, jogar alguns mísseis. Promover algumas briguinhas naquele território periférico que é a Arábia. E, via modelo broadcast de construção de verdades, convencer os americanos e o resto (nesta ordem, que conste) : a culpa é da periferia, burra, xiita, babante de raiva anti-americana. Holliwood anos 90 é um truque que ainda funciona para as massas.</p>
<p>Mas é inevitável não lembrar das cenas finais do filme Clube da Luta. (pós Holliwood anos 90, pré alguma coisa que virá). Inevitável não achar que esse movimento descentralizado, anárquico, perigosamente descontrolado, movido por jovens loucos, modernos, niilistas e conectados, não seja o estopim e, de fato, o causador, desta enorme &#8230; merda (desculpe, não achei outra palavra) que aconteceu ontem.</p>
<p>São mortes e mais mortes. Uma enormidade de famílias embasbacadas, frágeis, perdidas. Pior : perdidas em Manhattan. Porque Manhattan virou periferia. Escombros, sujeira, lojas fechadas, carros abandonados. Pessoas andando pra lá e pra cá como só vimos em outras transmissões broadcast quando filmavam os hutús, os iugoslavos, os libaneses. 11S é coisa única. Porque foi no centro.</p>
<p>E que me desculpem, mas é muita hipocrisia nas TVs, rádios e jornais. Após as primeiras horas com shows pirotécnicos, fogo, pessoas saltando no vazio e outras cheias de fuligem, a mídia não tinha novas cenas e passou pro estúdio, com comentaristas econômicos. &#8221; Porque o dólar sobe&#8221; , &#8221; Porque as exportações vão cair&#8221;, &#8220;Porque são milhões de dólares perdidos pelas companhias aéreas&#8221; , &#8220;Porque as seguradoras&#8230;&#8221; &#8220;Porque os bancos fechados&#8230;&#8221; Muita hipocrisia. Da mais cruel e desumana. Da mais baixa, vil e antiquada.</p>
<p>11S será marcado como o dia estaca zero. Onde, ou tudo se transforma em espetáculo midiático (&#8220;o&#8221; espetáculo), ou então, e preferencialmente, as vidas passam a ser consideradas como o real valor. O dia que a economia humanizou-se. O dia que caiu a ficha. E o WTC.</p>
<p>Tudo isso que falo pode parecer hermético demais. Dúbio. Mas sejamos realistas. Choremos as milhares de mortes. E depois, logo depois, vamos à luta. Não me refiro a lutas bélicas nem à luta Gandhi-pacifismo das massas. Claro que não grito pela defesa dos revólveres em casa nem pela inóspita e banal unanimidade contra o terrorismo. Porque tudo isso é óbvio. Somos contra terroristas. Mas também somo contra várias outras coisas.</p>
<p>E esses jovens, os mesmos incógnitos jovens de Seatle, de Roma ; das teias da web ; os linus, os giulianis ; e os outros tantos antiheróis ; provocadores anônimos, sem causas massificadas ; somente buscadores de liberdade ; da pílula vermelha de Matrix ; os hackers, os filhos do próprio establishment ; esses jovens que como todo jovem é barbaramente contra as coisas ; que esses jovens mudem o mundo. E que isso doa pouco à humanidade.</p>
<p>Porque é melhor a esperança jovem por um futuro que desconhecemos do que o pessimismo e a insegurança doentia que os Q.I 91 irão propor dentro de poucos dias para a humanidade.</p>
<p>Porque prefiro dias de câo do que dias de caça. Porque sou Poliana temerário. E não quero pra minha filha um mundo-bunker. Quero a liberdade da informação, quero que tudo seja periferia sem centro, como a web interconectada e interdependente. Porque quero humanidade e não quero morte. Não quero a paz aparente. Não quero a segurança de um muro alto. Não quero a pseudo-conspiração. Não quero a antiquada dialética do bom e do mau. Quero a obviedade. A certeza. Quero o caminho.</p>
<p>Meu medo está na pílula azul matrixiana. Está na insistência burra dos que ficam na caverna de Platão. E nos velhos. Na grande guerra entre o velho e o novo. Meu medo tem medo que o velho ganhe. Mas minha utopia e a esperança de todos nós é mais bonita de se ver.</p>
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		<title>A linkania e o Religare</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 16:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É desterritorializado. A ação se dá localmente, mas a conexão é global. É o link do amigo, do vizinho. É a dica. É o negócio entre duas empresas de 2 continentes diferentes. É a ajuda que teu primo te dá desde Madri por email. É a discussão que circula na lista pra visitar tal exposição, e o link pra exposição, que imprimem e colocam no mural da creche. Tudo isso é link.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-55 alignleft" title="boy" src="http://www.estraviz.com.br/wp-content/uploads/2009/03/boy.jpg" alt="boy" width="300" height="275" /> <em>Uma é palavra do futuro. Outra é palavra do passado. E quero aqui falar do presente. Linkando-as e religando-as.</em></p>
<p>Pretensamente, acho que ninguém obteve até agora ao menos uma turva noção do que a modernidade e a tecnologia representam para o que chamo de mundo novo. E humildemente percebo que não serei eu que terei essa noção. Quero aqui contribuir para o caldo sináptico de teorias. E fazer convites. Um convite para a ação e outro para a conexão.</p>
<p>Antes de explicar o que é linkania &#8211; e assim mantenho o suspense e o interesse no artigo <img src='http://www.estraviz.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  – quero explicar que alguns erros estão sendo cometidos pelos pensadores (aqui meu lado pretensão) ao mesmo tempo que a humanidade ri, as pessoas comuns não se preocupam com isso, continuam vivendo e gerando as variáveis que estabelecerão o novo paradigma. O tal do mundo novo.</p>
<p>Acho impertinente a visão pequena que associa a internet a um pequeno grupo de pessoas. Porque pra mim internet é rede. Rede é link. E os pobres fazem links há muito mais tempo que nós, os tais conectados. E parece que estamos agora podendo perceber isso, numa espécie de retomada da espontaneidade da solidariedade. É como voltar ao paraíso. É como deixar o inferno da “coisificação”. Ficamos muito tempo deslumbrados com a máquina enquanto que o humano era algo obsoleto. Sou um otimista que enxerga o mundo novo como a volta à conversa, ao link. A possibilidade nunca foi tão presente.</p>
<p>Temos o maior projeto cooperativo da história da humanidade, o linux. Temos uma retomada da conversa despretensiosa, não corporativa, descompromissada e não hierárquica, através dos chats, dos blogs, das listas. E temos os encontros em carne e osso, vitais e reais, que impedem os críticos de propor a falsa rotulagem de que os internautas são seres solitários. (Eles são, isso sim, soliDários&#8230;). Temos as iniciativas valiosas da internet nas favelas, nas escolas, nos postos públicos. Temos o mundo corporativo já conectado, onde o office boy não fica mais na fila do banco (ou finge que fica, passa as contas pra secretária pagar pelo bank line e vai jogar fliperama&#8230;)</p>
<p>“O computador conectado será em breve (e já é para muitos de nós) uma extensão tecno-natural de nossas mentes e corpo, assim como o carro é há muitas décadas uma extensão tecno-natural de nossas pernas”. (isso é copyleft do marioav)</p>
<p>E então o que falta ? Falta pouco. Falta tempo. Falta só que alguns velhos morram, outros se aposentem e que esta geração jovem já conectada cresça, tome seus lugares nas empresas, nos governos e nas ONGs. Só isso. A nós que estamos vivendo no limbo, no gap desta revolução, só nos resta desfrutar deste mágico momento da incerteza, do caminho nebuloso. Eu estou curtindo viver isso. Esses momentos de tensão e distensão. É como um parto. Sabemos que o mundo novo nascerá saudável, mas essa expectativa/gravidez é uma mistura de aflição com entusiasmo &#8230; Ops. Já ia esquecendo de explicar o que é linkania e religare (grávido é assim, está sempre nas nuvens)</p>
<p>Linkania (copyleft meu) é termo do futuro. É que ando cansado do discurso vazio da tal cidadania. Vazio porque não diz quase nada, mas fica bonito dizer. Cidadania, na essência, está vinculado (linkado?) a direitos e deveres. E ao invés de falarmos e exercemos plenamente isso, discutir, ensinar, propagar, falamos na vaga terminologia da cidadania. Os miseráveis escutam e dão de ombros. Os ricos falam e se sentem cidadãos. Se todos soubéssemos quais são nossos direitos e quais são nossos deveres, metade dos problemas (eu diria que mais, mas serei aqui cauteloso) estariam resolvidos. Mas cidadania é mais pomposo. Pega bem. E aí veio o insight : cidadania vem de cidadão, vem de cidade. Mas estamos tão desterritorializados nesta teia que a cidade perde o sentido pra mim, sabe ?</p>
<p>Os ecologistas geração-68 nos trouxeram frase ótima : Pense globalmente e aja localmente. De um lado a globalização, (que sou favorável, porque não é só econômica, aliás essa é a parte que menos me interessa). Do outro lado, o local, a associação comunitária de bairro, que promove cursos, ensina capoeira, tem creche&#8230; Ah ! Você não conhece ? Mas os pobres sim. Tua empregada conhece. É que eles estão conectados, sabe ? Estão linkados uns com os outros. Aprenderam faz muito tempo.</p>
<p>Então linkania é isso. É a cidadania sem cidades. É desterritorializado. A ação se dá localmente, mas a conexão é global. É o link do amigo, do vizinho. É a dica. É o negócio entre duas empresas de 2 continentes diferentes. É a ajuda que teu primo te dá desde Madri por email. É a discussão que circula na lista pra visitar tal exposição, e o link pra exposição, que imprimem e colocam no mural da creche. Tudo isso é link. É a matéria que um blogueiro comenta e que te faz pensar. É a descoberta valiosa do desempregado que vai a um infocentro e se cadastra em um programa de governo que lhe dará um emprego. E foi o vizinho que disse. Deu a dica, o link. E aí, pouco a pouco, vamos descobrindo quais são nossos direitos, porque a informação é pública . E vamos percebendo quais são nossos deveres, porque quem está em volta sugere e a gente concorda. E é assim mesmo, meio caótico, desestruturado. De acordo com o interesse de cada um e na disponibilidade que o sujeito tem em linkar e ser linkado. Em receber e repassar informação. Os herméticos irão perdendo terreno, ou se linkarão a outros herméticos e então tudo bem. Os velhos irão perdendo o terreno. Ou se linkarão com outros velhos, só por prazer. Tudo isso está fluindo e para que mude o paradigma falta pouco. É uma revolução silenciosa e divertida. E é sub-corporativa, deliciosamente caótica, enredada, sináptica, não linear, não metódica.</p>
<p>Percebe que falei todo o tempo de internet e não falei de grana ? É que a internet e não lucrativa, sabe ? Eu não estou falando dos cabos, das máquinas, das bases de dados, isso é “coisificação”. Eu estou falando das relações entre humanos. As conversas. Os icqs. É obvio que alguns humanos podem se linkar pra fazer negócios na rede. Mas podem também se linkar pra jogar conversa fora. Em ambos os casos estão conversando percebe ? Cluetrain , saca ?</p>
<p>E ainda não falei em religare mas acho que você já percebeu, não é ? Enquanto linkania é palavra do futuro, religare é palavra do passado. É de onde se originou a palavra religião. Mas acho religare mais bonito. Muito mais bonito. Porque não implica credos, rituais ou instituições. Não implica fiéis e infiéis. Implica basicamente re-conectar-se. Com a vida, com o mundo, com o todo. E com seu vizinho.</p>
<p>Religare está ocorrendo pra nós, que temos internet, somos “incluídos digitalmente”, estamos em bunkers em nossas cidades, exercemos ou não uma pretensa cidadania. Estamos na fase “RE” do re-ligare. A miséria esteve sempre no “ligare”. Foi sempre a única saída. Entre eles próprios, a fraternidade ocorreu por sobrevivência e com naturalidade. Por isso continuam vivos, porque se ajudam. Nós não os ajudamos desde quando nos desconectamos deles, quando os “coisificamos”. E o que falta então ? Tempo. O tempo da nova geração conectada crescer enquanto os filhos dos pobres crescem conectados em suas escolas e associações de bairro. Na rede sem hierarquias e descompromissada, coisas acontecerão.</p>
<p>Cabe a nós conectados o religare. O link que os pobres já exercem entre si. É nessa imensa brincadeira cooperativa onde nos linkamos pela web pra enviar um texto, pra marcar um chopp, que está ocorrendo o caldo, a gênese desse mundo novo. Cabe a nós o link. Quero falar com muitas pessoas. Aprender delas e ensinar pra elas. Numa troca. A idéia do João me dá o insight, que passo pra Maria, que repassa e que o Pedro transforma em ação, que dá uma idéia pro Caio&#8230;</p>
<p>Falei no começo que faria dois convites. E você pode escolher. Ambos são muito valiosos. Se você se conectar, já estará contribuindo para o caos sináptico. O caldo ficará mais engrossado e isso é ótimo (e os Pedros e Marias agradecerão). Se você quer agir, siga em frente. Só não seja hermético. Nós perderemos com isso. A tua ação, se não tiver link com nada a não ser com você mesmo, não engrossará o caldo. E aí não dá liga. Agindo linkado, o universo conspirará a seu favor. Parece papo de religião, não é ? Não. Não é. É religare. E linkania.</p>
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		<title>A periferia é o centro</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 10:38:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Porque lá ele está incluído. Porque lá Sebastião é o rei do samba. Porque o filho do Sebastião trabalha no centro comunitário e o sobrinho, junto com os amigos, estão quase conseguindo o computador para a escola municipal. É o centro porque lá a comunidade se organiza para tirar os traficantes e tentar livrar seus filhos da grana da droga.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-58" title="cinemati" src="http://www.estraviz.com.br/wp-content/uploads/2009/03/cinemati.jpg" alt="cinemati" width="300" height="275" /></p>
<p>“Muita hipocrisia, não é, doutor ?”. Sebastião tinha toda a razão. Ele estava cansado. Seus amigos estavam cansados. O certo é ‘eles estavam putos’. Mas vamos manter a elegância deste texto.</p>
<p>Sebastião é encarregado de obra. Nos fins de semana ele vira Tião. Tião da percussão. Odeia quando chegam os engenheiros, os arquitetos, e já gritam : “Tião! Vem cá!” Ele não deixa que seus funcionários o chamem de Tião. Não na obra. Tião, só o da percussão. Só nos fins de semana. Mas os engenheiros – os ‘almofadinhas’, como ele diz- nunca respeitaram isso. “Pô, como tem Tião em obra, né Tião?” falou o garoto recém formado. Mal sabe misturar cimento, mas já sabe que tem muito Tião em obra. O almofadinha.</p>
<p>Passadas duas semanas, almofadinha vem com uma grande idéia : “Exerça sua cidadania: Limpe os pés” é o cartaz que o almofadinha coloca ao lado dos capacetes. Sebastião foi falar com o almofadinha que os pés estão limpos e que os funcionários se sentiram ofendidos. Não são gente suja. “ Deixa de ser burro, Tião !” “Sebastião!” pensou Sebastião &#8211; “ Eu só falei pra que vocês limpassem os pés naquele capacho antes de entrar na sala. É só um toque de cidadania, entendeu?” “O capacho, entendi agora doutor. Vou falar pra eles. Mas isso de cidadania&#8230; Perguntaram pra mim e eu falei que queria dizer pra fazer as coisas certas, se não, dá problema.” “ Tu é burro mesmo, Tião. Vai trabalhar vai. Olha: Meu irmão tá nisso de trabalhar com cidadania pra favelado. Vou falar pra ele ir na tua favela – ‘cê mora em favela né Tião?”. Sebastião saiu cansado. No fim de semana apareceram almofadinhas mirins lá na comunidade. Falaram sobre ‘cidadania’ para os ‘excluídos’, o nome politicamente correto para pobres, miseráveis. Saíram rindo. O filho do Sebastião ficou ‘cansado’ como o pai&#8230;</p>
<p>Cansado estou eu Sebastião. ‘Puto’, acabando com a elegância deste texto. Alguém perguntou se os tais ‘excluídos’ querem se ‘incluir’ nessa hipocrisia ? Alguém deixou de lado os termos elegantes para dizer : “Rapaziada, cidadania é você ter direitos e deveres plenos. Vocês tem estes e estes direitos e estes e estes deveres”. Está doente ? Você tem direito a um hospital decente. Policiais revistaram teu filho ontem e deram um ‘cacete’ nele ? Você tem o direito de reclamar de forma incógnita na ouvidoria. A polícia tem o dever de investigar e punir.</p>
<p>Você tem deveres também. Mas depois da ditadura, a ‘classe pensante’ preferiu não tocar muito nesse assunto pois pareceria coisa de militar. Mas tem deveres. Precisam ser cumpridos. Sinal vermelho : dever de parar. Sinal verde : dever de andar (mas almofadinha ‘se acha’ no direito&#8230;) Cidadania é direitos e deveres. Sem firulas. Isso os caras não explicam. Porque nem sabem.</p>
<p>É que a ‘classe pensante’ prefere falar bonito. Vai de carro na favela nos fins de semana, entrega uns agasalhos surrados, faz uma reunião com os menores (adolescente é filho da classe média, morador de favela é menor. Os com pena chamam de menor carente). Sentam-se em círculo e começam a perguntar : “Alguém aqui sabe o que é cidadania?” Depois do silêncio, os voluntários (nova moda: seja voluntário neste ano do voluntariado!) riem um pouco, e com aquela cara de “elite esclarecida voluntária com pena da ignorância desses excluídos” começam a explicar : “ Cidadania é ser solidário. Abraçar o social. Unir-se em redes e parcerias para que exista uma melhoria das condições de vida do ser humano e do nosso planeta. Que tal se fizéssemos uma campanha de reciclagem de lixo?” Um adolescente da comunidade, mais atrevido, avisa que estão fazendo uma na escola municipal. Mas os almofadinhas interrompem : “ Não importa! Quanto mais melhor! Vamos fazer uma aqui na favela. Semana que vem a gente passa pra recolher as latas e plásticos e leva lá na Vila Madalena, que tem uma cooperativa maneira”. Aquele atrevido falou baixo – e ninguém ouviu – que a campanha é para comprar um computador para a escola&#8230;</p>
<p>Pobre vai para o hospital e fica sem coragem de reclamar da fila. Pensa que já que é de graça, não pode reclamar. Só que não é de graça. Ele paga. Se não paga no imposto do salário porque está desempregado, paga no imposto do arroz, do leite, do Nescau e da pinga. Pobre acha que o filho não aprende porque é burro. Mas aí lembra também que a escola é de graça e por isso é ruim. Então esquece disso tudo e acha mesmo que o filho é burro. Só que o filho não é burro e a escola não é de graça. Ela é cara. Cada leite, cada fósforo, cada botijão de gás, pagam essa escola. Só que a escola é fraca. Mas pobre não exige porque não se sente dono. Acha que é gratuita, que é do governo. E pobre não sabe que tem direitos e que a escola é dele. Soube agora que tem essa cidadania e que virou excluído.</p>
<p>Excluído de quê ? de quem ? Onde estão os incluídos ? Estão em escola cara ? Ah ! Então pobre vai estudar em escola cara também ? “Não burro ! Você vai ficar na sua escola pública, só que vamos dar aulas de cidadania!” Incluído não pega ônibus. Vai de carro. Incluído reclama do lotação, diz que é ilegal. Que causa acidentes. Foi só pobre economizar e comprar uma Besta, oferecer para o pessoal da comunidade transporte sentado em vez do ônibus que atrasa, está lotado e chacoalha, que a besta virou o pobre. Pior, virou ilegal, virou infrator.</p>
<p>A periferia é o centro. Porque lá ele está incluído. Porque lá Sebastião é o rei do samba. Porque o filho do Sebastião trabalha no centro comunitário e o sobrinho, junto com os amigos, estão quase conseguindo o computador para a escola municipal. É o centro porque lá a comunidade se organiza para tirar os traficantes e tentar livrar seus filhos da grana da droga. Uma grana que mata antes dos 20. Pobre sabe o nome do traficante, mora perto dele e reza para que o filho não caia no conto do tênis importado. Pobre sabe que o traficante, que empinava pipa com ele faz 15 anos lá no morro, está cheio da grana. Grana dos almofadinhas que cheiram pó e gritam com os subordinados.</p>
<p>A periferia é o centro. Porque o outro centro, aquele das avenidas e dos engravatados, pobre chega de cabeça baixa. Na comunidade ninguém anda de cabeça baixa. Só aquele que se perdeu na bebida depois de anos desempregado. Mas também para ele pobre tem comida e entrega num prato. Pobre se organiza, faz rifa e compra berço e mantimentos para a menina que foi estuprada mas não aborta porque é crente. Pobre se junta, faz mutirão para pintar a creche. Pobre só não sabe ainda que tem muitos direitos. Ainda não sabe e se depender da ‘cidadania’ não vai saber.</p>
<p>A periferia está se organizando. Está cansada, mas se organiza. Pobre quer que o filho estude, mesmo que ele seja burro, mesmo que a escola seja ruim. Pobre quer ler. E um dia vai ler em algum lugar seus direitos. Um dia vai dizer o que me disse Sebastião naquele sábado :</p>
<p>- Muita hipocrisia né, doutor?</p>
<p>- Não sou doutor, Sebastião !</p>
<p>- E pra você, eu sou Tião, meu amigo ! Tião da Percussão !</p>
<p>E depois de matarmos aquela feijoada da Dona Inês, Sebastião caiu no samba e eu peguei meu carro e voltei para casa. Eu estava puto, mas Sebastião, ou melhor, Tião da percussão, dava o ‘breque’ e sorria.</p>
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		<title>A informação é pública</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 10:35:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não caia no conto do pirata, do hacker sacana, do plágio. Não entre na onda dos direitos de autoria. Os direitos são da humanidade. Mudança de paradigma. Quem quiser sentar na fama da autoria vai durar quinze minutos. Crie-copie-recrie toda hora. Essa é a arte, esse é o código. A informação é de todos nós. O show é a obra, não a partitura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-72" title="mao" src="http://www.estraviz.com.br/wp-content/uploads/2009/03/mao.jpg" alt="mao" width="300" height="275" /></p>
<p>Irreversível. Vai ter briga ainda. Carinha acaba de ser preso e saiu sob fiança de 50 mil dólares por violar as leis do copyright. É pra assustar. Mas é capaz de virar mito. Incontrolável. Deliciosamente incontrolável.</p>
<p>Todo mundo tem o direito à informação. E graças à internet, os feudos estão acabando. Hoje o mérito não é ter informação e sim saber peneirá-la. Hoje informação é comoddity. E vivemos em um vácuo de gerações. Gente que ainda guarda arquivo do word no cofre e carinha que distribui seus desenhos pra quem quiser. A indústria fonográfica fica preocupada. A indústria farmacêutica ameaça brigar com o Brasil na OMC em função da quebra de patentes dos remédios contra a AIDS. O linux cresce.</p>
<p>Antes a fórmula da coca-cola era um mito. Só duas pessoas sabem &#8230; blábláblá. Essa era acabou. Hoje sabe-se a fórmula e a coke sabe que não tem pra ninguém na sua estratégia agressiva de distribuição e marketing. A fórmula você puxa na web. A estratégia de marketing ? Muita, muita grana.</p>
<p>Antes, o chefe era aquele que sabia o salário de todo mundo, e quais as estratégias secretas, os planos B, quais e onde os caixas 2. Hoje assistente ajuda o chefe. Hoje chefe nem sabe que assistente fofoca pelo ICQ com a secretária do concorrente.</p>
<p>Antes governo tinha a verba e população tinha a fila. Hoje governo presta contas, visita a planilha quem quiser. ONG se dedica a vigiar governo. Governo sai na mídia. Descobre-se que desviou. Hoje até juiz é preso. É pouco, mas é o começo.</p>
<p>Antes ditador ditava as regras e fechava jornais e rádios. Hoje hacker ajuda a população avisando ao mundo que o Milosevic é canalha porque tem rádio na web que alertou ao mundo suas barbaridades. Graças aos hackers. E tem fotos mostrando manifestante sendo torturado. E tem carinha avisando que ACM plagiou. Até tu, ACM ?</p>
<p>Carinha tem que perceber uma coisa: A informação está aí. Faça o que quiser com ela. Plagie. Misture. É a era do sampler. Grandes corporações pegam artista ingênuo pra defender a classe. E aparecem na TV com a boca fechada enquanto a Madalena compra CD do Daniel no Largo de Pinheiros. De baixa qualidade, que conste. Mas dentro do orçamento da Madalena.</p>
<p>Microsoft chama software copiado de pirata. Maquiavélica inversão de valores. Pirata é o Bill Gates, que com suas naus tenta monopolizar o oceano. Mas tem muito barquinho por aí. E barquinho oferecendo peixe fresco. É o bazar dos pescadores vendendo à beira da catedral microsoft.</p>
<p>E essa informação pública tem que se tornar ideologia. Porque assim governo para de esconder informação que é pública. Quero saber quantas empresas foram multadas porque penduraram faixas nas avenidas. Quero a folha corrida de cada deputado, cada vereador. Quero a lista dos convênios do governo com as pilantrópicas. O acordo com o FMI, os projetos de lei, os que votaram contra, os que votaram a favor, os que não foram. Algumas informações já estão aí, estão fáceis. Outras, mais difíceis, mas a gente acha. E as mais secretas estão pipocando. Porque carinha é sangue bom, descobre e publica na web.</p>
<p>E vem carinha perguntando o que vai acontecer com os artistas. Oras. O de sempre. Artista se vira porque é artista. E ganha mais dinheiro com show em Itupeva do que a temporada no Palace. Pergunta pra eles. Eles confirmam. Mas não querem (não podem) falar sobre isso. Está no contrato. Secreto.</p>
<p>E tem gente que vai dizer que a literatura, desse jeito, vai acabar&#8230; Faça-me o favor. O bazar do sebo não acaba com a catedral editorial. Só convivem. É cômodo achar o último lançamento na livraria. E é divertido achar um título curioso no sebo. Só isso. Convivem.</p>
<p>Blockbuster não morrerá porque mãezona copia filme do Rei Leão da vizinha. A Sony Music não vai morrer porque gravei aquela música do rádio. Mas diretoria da Sony diz que vai morrer. Então que morram. Ou aprendam. Indústria tem que entender a mudança. Governo tem que entender. Quero a informação Queremos o código. Não vão dar pra gente ? Tudo bem, a gente se vira.</p>
<p>Me fala um segredo que precisa ser guardado a sete chaves. Me conta uma informação que significa segurança nacional. Não tem. Abram o jogo ou a gente abre.</p>
<p>Não caia no conto do pirata, do hacker sacana, do plágio. Não entre na onda dos direitos de autoria. Os direitos são da humanidade. Mudança de paradigma. Quem quiser sentar na fama da autoria vai durar quinze minutos. Crie-copie-recrie toda hora. Essa é a arte, esse é o código. A informação é de todos nós. O show é a obra, não a partitura.</p>
<p>Vão achar o deputado que rouba, vai circular nas listas de discussão, vão publicar nos blogs. Vai sair na imprensa. Vão abrir CPI, vai haver pressão. Vão mandar email pra deputado votar a favor. Vão entupir caixa postal. Informação é pública. Transparência é principio. A rede pressiona. Copyleft; Quer apostar ?</p>
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