eu estava no sistema
Via isso todos os dias.
ONGs sérias, causas legítimas, equipes exaustas. Líderes — muitas vezes mulheres perto dos 50 — sustentando tudo com idealismo, culpa e café frio. Trabalhando mais do que qualquer executivo de mercado, ganhando menos do que qualquer trainee de multinacional, convivendo diariamente com doença, pobreza, violência e devastação ambiental como causas.
E, ainda assim, sempre “quase lá”.
Quase o financiamento. Quase o patrocinador certo. Quase um conselho forte. Quase a virada.
Com o tempo ficou claro: o problema não era falta de causa, nem de competência, nem de esforço. Era algo mais profundo — e mais cruel.
O terceiro setor está cercado de gente poderosa: executivos ricos, empresários influentes, herdeiros, conselheiros potenciais. Ainda assim, é estruturalmente incapaz de acioná-los. Não por falta de acesso, mas por vergonha.
Existe um paradoxo silencioso, raramente nomeado, que torna inúteis quase todas as abordagens tradicionais.
Muitos gestores acreditam que pedir dinheiro “contamina” a pureza da causa. Sentem-se pequenos diante da elite econômica. Acham que precisam sofrer para merecer apoio. Por isso aceitam cursos, mentorias e acelerações — aceitam quase tudo, menos pedir.
No fundo, carregam uma crença não dita: se for para pedir, é melhor não pedir nada.
Isso não aparece nos relatórios, mas destrói ONGs por dentro.
Vi líderes brilhantes à beira do burnout, não apenas pelo excesso de trabalho, mas pela solidão estratégica. Vi projetos morrerem não por falta de impacto, mas por falta de ponte humana. Vi mulheres extraordinárias se esgotarem tentando dar conta de tudo, enquanto jantares de executivos aconteciam a dois bairros dali, sem qualquer conexão real com a causa.
Foi aí que veio a revelação brutal: o networking existe. O que não existe é permissão psicológica para usá-lo.
Não aprendi isso em curso algum. Aprendi no campo de batalha. Tentando aproximar mundos que se evitam, errando pedidos, perdendo oportunidades, sendo ignorado e subestimado.
Até entender algo que ninguém ensina: executivos não ajudam causas. Ajudam pessoas em quem confiam e nas quais se reconhecem. E gestores do terceiro setor nunca foram preparados para ocupar esse lugar.
O método que construí não nasceu em PowerPoint. Nasceu de tentativa, constrangimento, negociação malfeita e conversas difíceis. Nasceu ao perceber algo simples e ignorado: conselheiros voluntários não querem salvar ONGs. Querem fazer parte de algo maior, sem serem sugados.
Foi assim que criei um modelo que une o que parecia incompatível. Gestores exaustos, mas legítimos. Executivos com pouco tempo, mas muito capital social. Relações de troca real, não de favor. Abertura de portas, não palestras. Ideias que reduzem trabalho, não aumentam tarefas. Dinheiro que vem do network real. Mudança que surge como consequência lógica, não como promessa milagrosa.
O que acontece não é apenas financiamento. É paz financeira. É a ONG respirar. É a líder voltar a dormir. É a equipe sair do modo sobrevivência.
E algo ainda mais raro acontece. Um ambiente onde pessoas da elite econômica não ajudam de fora, mas participam de dentro, com respeito, humildade e compromisso.
Não romantizo o terceiro setor. E não demonizo o dinheiro. Entendo os dois lados porque fui rejeitado por ambos antes de ser ouvido.
Se tivesse que fazer uma única coisa agora, seria simples: conectar duas pessoas certas e abrir uma porta.
E lembrar às lideranças sociais algo que foi esquecido no caminho: Vocês não precisam sofrer para serem legítimas. Vocês não estão pedindo demais — estão pedindo errado. Solidariedade de verdade também envolve poder, estratégia e dinheiro.
Alguém precisava dizer isso. Agora te apresento dois caminhos:
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Sugiro gentilmente que escolha um agora.