Movimento Marina e agora a #rede

Fiz um registro de algumas coisas em relação ao que foi o Movimento Marina Silva, principalmente meu envolvimento no processo. Falo de 2010.

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Apesar de já ter participado de outras campanhas, voluntariamente e profissionalmente, na periferia do processo ou no centro das decisões, na rua ou em escritórios, nada se assemelha à experiência vital que foi essa campanha por Marina. O efeito em mim, visceral, me trouxe novamente o prazer e o sonho de viver uma nova política.

Mas acho que todos aqui, em maior ou menor grau, puderam perceber essa diferença no sentir. Vou me ater então às minhas sensações. Meu envolvimento começou com um convite do Dudu Rombauer, que estava de passagem por sampa e perguntou se eu queria participar de uma reunião com a equipe de campanha recém formada, onde estariam também alguns voluntários. Seria um processo de escuta e reconhecimento mútuo. Na reunião ficou confirmado que o movimento não só era independente como deveria manter-se assim. Isso deveria ser março ou abril. O site do movimento tinha umas 15 mil pessoas, resultado do trabalho do dudu, de mais de um ano. A independência do movimento não significava falta de diálogo. Pelo contrário, desde o início, achávamos fundamental que houvesse convergência de ideias e ações. O que ocorreu várias vezes, mas não tanto quanto gostaríamos.

Um segundo momento simbólico importante ocorreu numa “imersão” de dois dias na serra da cantareira, com umas 30 pessoas aproximadamente, de algumas partes do Brasil. Esse primeiro encontro coletivo alicerçou as bases de muitas coisas do movimento, entre elas, um desejo sincero de fazer uma nova campanha para uma nova política.

Eu confesso que entre esse encontrão e o começo da campanha em si há pra mim um turbilhão de memórias, sensações e atividades. Não conseguiria descrevê-las de forma estruturada. Foram reuniões em diversos locais, alguns semanais e locais, outros com gente de todo o Brasil em casas de gente que nem conhecia e no processo viraram amigos. Telefonemas, skypes, emails, SMSs. A coisa começava a se avolumar e estávamos alegres pelo efeito viral do processo. Algumas coisas que considero fundamentais para registrar e para que sirvam de referência em outros contextos de mobilização:

– As ideias-força do movimento são nosso evangelho, nossos 10 mandamentos. Foi sempre o texto que me balizou pra saber se o que eu estava fazendo era uma ação distríbuida ou hierárquica. É um documento que carregarei comigo, pra sempre, na mente e no coração.

– O sentimento de que sou+1 e a força que isso tem. Nunca imaginei que ao sugerir essa ideia na cantareira, veria o +1 esparramado em todas as peças publicitárias, nos bottons, nos painéis atrás de Marina nas convenções… Isso me alegrou e me alegra. Porque creio fortemente no coletivo, mas sabendo que sou um. E que vários uns, somados, formam um forte coletivo. Parece jogo de palavras, mas tem um significado profundo, o da retomada do indivíduo, a negação da massa, a soma dos sonhos… Lembro um dia quando estávamos em mais uma das reuniões onde Marina pode passar uns minutos conosco. Estávamos em roda sentados, ouvindo-a, ela de pé. Mas quando foi falar sobre o +1, antes disso ela se sentou. E disse que era +1. Até hoje me arrepia isso.

– As casas de Marina. Apesar de não ter ido em Itu, onde isso foi gestado, participei ativamente da divulgação e contribuí onde pude para esse alastramento. Até hoje me surpreendo quando visito o site das casas de marina. Georeferenciar a mobilização foi uma forma de potencializarmos nossa força. Receber fotos no site com as casas com seus banners era maravilhoso. Ainda fico pensando o que se pode fazer com essa enorme rede distríbuida pelo país (e pelo mundo). Algo já se está “tramando” por aí. 🙂

– A autonomia. Quando a campanha começou a “ferver” víamos que era necessário retomar uma discussão com a equipe de campanha. Queríamos manter nossa autonomia mas precisávamos de uma pequena equipe que pudesse atuar full time no engajamento e fortalecimento das ações pelos estados. Fiz parte dessa equipe, assim como da negociação, para que nos mantivéssemos autônomos, porém com estrutura mínina (salários e viagens para um grupode 10 articuladores). Admiro-me pela coragem da equipe de Marina em aceitar tal proposta. Não tivemos chefes nesse período, não houve pressão para agir de um jeito ou de outro. Foi também uma época de muita confusão. Éramos da campanha, mas não éramos. Éramos voluntários, mas pagos. Mobilizávamos neste momento mais de 40 mil pessoas. Ocorreram vários erros nesse processo. Normais, se formos pensar a urgência de uma campanha. Mas olhando agora, vejo que ocorreram muito mais acertos. Ao ver as fotos de gente por todo o Brasil engajando-se, saindo na rua, participando de flashmobs, vejo que fomos basicamente corretos, fortalecemos a autonomia.

No dia da eleição eu tinha dois sentimentos contraditórios: “Poderíamos ter ganhado…” e “Foi incrível!”. À medida que começaram as apurações no Brasil, fui me reanimando. Aquilo era uma bela vitória. Aquilo era a prova de que é possivel viabilizar o sonho. Vários amigos me ligaram ou mandaram emails parabenizando a mim e ao movimento. Foi massa. A intensidade do trabalho de campanha é coisa insalubre. Mas o registro é importante. Pra quando nos levantarmos de novo para novas mudanças.

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E agora em 2013 o que nos move é a #rede. Ainda vou falar muito sobre isso por aqui. Ou melhor, vamos.

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