Pause – Cinco minutos

Time is running out/ Race against time

É impressionante o número de pessoas que de fato sofrem pela falta de tempo. Existe um acúmulo de tarefas, uma lista infinita de pendências, uma corrida contra o relógio. Chegam em casa e existe uma outra lista, outras obrigações, um novo conjunto de atividades. Desde trocar a lâmpada até passear com o cachorro. As pessoas de fato acreditam que precisam de mais tempo. Mas não definem o que é prioritário e o que é desnecessário. Tudo é tarefa, o importante é fazer algo. E este é qualquer coisa, uma reunião, navegar no facebook, brincar com o filho. Coisas. Fazer, não parar, sempre em frente.

Mesmo para a pessoa mais ocupada do mundo é possível criar prioridades. Tem gente que se orgulha em dizer que sua agenda está lotada. Não importa que mais da metade das reuniões são desnecessárias, que algumas delas se resolveriam em um telefonema, que outras nem precisariam acontecer.

Outras pessoas se ocupam com tudo, menos com o que precisam. É a síndrome da procrastinação. Atire a primeira pedra quem nunca passou por isso. Preferimos levantar e dar comida aos peixes pela segunda vez esta noite do que sentar a bunda na cadeira pra preparar aquele relatório do cliente. Nos conectaremos ao twitter e assistiremos vídeos no Youtube ad nausean e iremos varar a noite escrevendo aquele longo e-mail ao chefe. Isto não ocorre devido a que procrastinamos, o problema é que estamos sempre ocupados e cheios de atividades.

Tanto para os reais quanto para os ilusoriamente ocupados, existem os cinco minutos. Eles nos reorganizam a mente, nos salvam. Se acha que não tem cinco minutos no seu dia, você está enganado e estúpido, desculpe a sinceridade. E não serve pegar 5 minutos enquanto corre na esteira ou enquanto está no trânsito. Isso não vale. Pare e ponto. Faça algo completamente inútil. Nada, por exemplo. Olhe a chuva pela janela, o sol ou a construção. Abra um livro de imagens abstratas, lembre de alguma cena de sua infância. Pode parecer difícil no começo. Vai ser. Sua mente, habituada a estar ocupada com todo tipo de coisa não consegue interpretar essa não mensagem. Você vai começar automaticamente a fazer a lista de compras. Sua mente vai lembrar que ainda não agendou o dentista este ano e fará um esforço enorme para que pegue o telefone e ligue para ele. Despreze a mensagem. Tente. Olhe novamente pela janela.

É mais ou menos como as dicas para quem faz meditação, mas muito mais simples. Não precisamos de posição de lótus, nem focar num ponto específico e nem fazer cara de monge. Ao mesmo tempo, é um tipo de meditação sim. Mas só para estarmos atentos ao presente, ao exato momento. Pensar no dentista é uma pré-ocupação. Pensemos nele quando estivermos lá. Aí será uma ocupação. Todas as pré-ocupações nos incomodam por esse “pré”. E nessa linha, a medida que você se habituar a estar no presente, você se ocupará com o que está acontecendo exatamente agora. Aí a reunião durará menos, porque estará 100% nela e o relatório sairá mais rápido porque estará focado nele.

Mas isso requer prática e ela é muito útil se um dia quiser fazer um sabático. Imagine quão frustrante seria estar no Tibet pensando que precisa ligar para o dentista? Treine antes.

Existem softwares hoje que você configura para congelar a tela a cada hora. Ela fica congelada por 5 minutos (é uma pré-configuração, você pode alterar se quer mais horas, mais ou menos tempo). Quando li a respeito fiquei impressionado achando que ninguém precisaria disso mas na sequencia vários amigos disseram que já o estavam utilizando. Foi aí que caiu a ficha pra mim como esse assunto era grave.

Eu paro o que estou fazendo a cada hora ou duas. As vezes o que estou fazendo é simplesmente passear no facebook. Mas faço isso focado em estar ali. Porque na hora que eu for trabalhar, estarei focado trabalhando.

Eu lembro a primeira vez que parei conscientemente por 5 minutos. Faz quase 20 anos. Era uma época que eu mesmo agendava mil reuniões, encaixava pessoas nos almoços, alguns até antes do começo do trabalho. Meu horário comercial era de reuniões e as coisas que tinha que fazer eu fazia a noite, em casa. Numa tarde de sexta, olhando minha agenda da semana seguinte eu vi que tinha um único buraco e já pensava em aproveitá-la para agendar uma outra coisa que agora não lembro. Aí me caiu a ficha que aquele era meu único momento livre na semana e que aquilo não fazia sentido. Aqueles cinco minutos foram os primeiros de milhares que já fiz. Eles são hoje os momentos das melhores decisões, do descanso, do rearranjo, da confirmação que estou fazendo as coisas certas e que posso fazer uma revisão do que é desnecessário.

Como parar cinco minutos? Simples, pare. Sua mente dirá que não há tempo, que irá se atrasar ainda mais. Se está atrasado para buscar seu filho na escola, realmente não é a hora de parar esses cinco minutos. Mas se estiver no escritório, entre uma reunião e outra, pare. Vá para a janela. Sua mente dirá que não é hora de olhar além dela. E você dirá a ela para calar a boca. Enquanto olhar através da janela, você começará a pensar na próxima reunião. Tente acalmar a mente, se distrair. Se não conseguir desta vez, tente de novo amanhã, ou depois .

Tente também nos momentos em que estiver em casa. Desligue a TV por estes preciosos minutos. Pode ser que ache 5 minutos muito. Comece com um então. Tem gente que medita por 20 minutos todas as manhãs e para alguns isso pode parecer uma eternidade. Talvez seja. Mas concorda que um minuto é suficientemente pouco para você não se queixar? Todos esses processos de parada, de pausa, de corte, tem o objetivo de fazer que o programa que está rodando em sua cabeça dê uma pequena mensagem de erro. E, em paralelo a isso, perceberá que ao término destes 5 minutos irá sentir-se revitalizado, com a mente arejada, aberto ao improviso e, em geral, com soluções que parecerão surgir naturalmente.

Existem pessoas que rodam sua lista de tarefas como um robô. Fazem o que tem de ser feito, segundo elas. Mas muitas destas tarefas poderiam ser feitas de outra forma, mais rápida e inteligente. E só conseguimos perceber isso se pararmos antes de começar cada uma delas, pois, se seguimos sem pensar, nosso cérebro funcionará no modelo convencional, como a de uma produção em série. Com certeza o cara que inventou a máquina de lavar ficou olhando para a roupa suja e imaginava algo que pudesse substituí-lo. Ele não fez isso enquanto lavava suas roupas. Provavelmente lhe ocorreu enquanto olhava para as roupas, ou embaixo de uma árvore. O processo então é esse. Sair do tradicional, se colocar como que fora do contexto, para com isso, além de relaxar a mente, encontrar soluções que surgem como que inesperadamente.

Se em tão pouco tempo encontramos soluções simples, em um ano de sabático podemos mudar nossa vida. Por isso, todas as pessoas que conhecemos e que fizeram sabáticos mudaram suas vidas. Elas saíram do contexto, fizeram uma parada.

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