Prefácio “do livro da tese do artigo” da linkania.

Meu amigo Hernani Dimantas lançou o livro “Linkania, uma teoria de redes” já faz um tempo. Ele é resultado de sua tese de mestrado, que por sua vez, foi inspirada em um artigo que escrevi em 2001.

Abaixo, o prefácio que fiz no livro, contando como começou essa aventura:

BANKSY-beggar-mEra 2001, e estávamos em uma odisséia no espaço. O espaço da web. Também foi o ano em que as torres gêmeas caíram, e isso foi, como demonstrado em toda a mídia recentemente, o ato simbólico da década que apenas iniciava.

Foi um ano em que nos ampliamos. Éramos um punhado de gente começando a escrever em blogs aqui no Brasil. E isso já era motivo para nos sentirmos um bando. Estávamos esparramados pelo país (alguns até em outros países), mas nos sentíamos unidos pelo ato de blogar e falar exatamente sobre isso. Não usamos nossos blogs como diário, ainda que houvessem alguns posts com esse intuito. Não éramos tão jovens quanto os adolescentes que fizeram de seus blogs uma continuação de suas vidas. Mas não éramos tão velhos a ponto de ir contra essa tecnologia que se oferecia gratuitamente para nós. Estávamos nesse limbo e soubemos aproveitar tudo isso. Estávamos felizes com esse mundo novo que se descortinava. Escrevíamos artigos, éramos comentados pela blogosfera, sentíamos certo prazer por estar na fronteira do que se descobria e se discutia. Éramos o objeto de estudo e os autores do estudo. E estávamos linkados.

Nesse ano, tive inspiração para escrever um artigo que foi rapidamente reenviado, linkado e citado nos blogs da época. Tive a ousadia de tentar juntar o velho com o novo. Com o artigo intitulado “A linkania e o religare” pretendia fazer o link definitivo – “linkania” remetendo ao futuro e “religare” ao passado.

De repente, o artigo passou a ser citado nas listas de discussão. E todos nós, que nos sentíamos partícipes desse novo momento humano, nos identificávamos de uma forma ou de outra com o que eu havia escrito numa tarde ensolarada em Sampa. Curiosamente (e eu nunca disse isso antes a ninguém), escrevi o rascunho do texto num caderno. Nada mais off-line que um caderno para escrever sobre a vida on-line. Desde então, venho pesquisando mais o antigo do que o novo. Venho tentando entender onde foi que a humanidade “deslinkou-se”, e meus cálculos me aproximam do advento da agricultura, há uns seis milênios. Enquanto meu objeto de estudo passou a ser o religare, Hernani Dimantas, meu amigo de fé, meu irmão camarada, aprofundou-se na linkania. Tomou para si a tarefa de destrinchar o que esse admirável mundo novo tem trazido para nós, seja por meio da própria tecnologia, seja pelo que de fato acreditamos, o humano, demasiadamente humano, que habita em nós, hoje amplamente conectados.

Para mim, HD é o guerreiro incansável e suave, o artesão dos bytes, defensor da liberdade e da gambiarra, pai exemplar, amigo rabugento e pintor. O Hernani que se apresenta neste livro é uma parcela ínfima do ser humano amoroso que tive e tenho o prazer de conviver. Seus estudos são hoje uma fonte de descobertas, de autores, de ideias linkadas umas às outras, que ele teve a generosidade antropofágica de digerir para nós. Por isso, peço que leiam este livro com parcimônia. Leiam como posts diários de um blog atemporal. Não tenham pressa em entender tudo. Não se perguntem por que às vezes determinadas frases parecem repetidas. cheguei a uma conclusão que reparto agora com vocês: Hernani veio ao mundo para nos contar como se faz. E, como bom sábio, faz isso reiteradamente, até que entendamos que se trata basicamente de amor.

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Se ainda não conhece o artigo LInkania e Religare, clique aqui.

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