Livro Pause (+1 trecho): Preparando a cabeça

(mais um trecho do livro)

Se defendemos que todos deveriam fazer um sabático e se todos parecem concordar com isso, por que são tão poucas as pessoas que o realizam? Nossa aposta é que o motivo é simples: falta coragem. Podemos dar todas as desculpas possíveis e todas parecerão razoáveis. Podemos achar que o problema é dinheiro, e não deixará de ser verdade, podemos dizer que o problema é falta de tempo, e pensando bem, pode ser isso mesmo. Mas alguns conseguem o dinheiro para isso, conseguem organizar seu tempo e ainda assim não tomam a decisão fundamental: fazer o sabático. O que falta? Provavelmente falta mudar a cabeça, pensar diferente, ousar fazer, atirar-se nessa aventura.

Como isso não é assim tão simples, vamos tentar entender um pouco como funciona nossa cabeça nesta situação particular. As pessoas, em geral, buscam sua zona de conforto. É da natureza humana. Caminhamos dia a dia para uma situação que nos canse menos, que gere economia psíquica, que garanta segurança emocional, financeira, física, prática. Todos nós fazemos isso, e nos momentos que refletimos sobre como outras pessoas podem ter feito coisas bacanas, rapidamente nosso eu interior nos lembra como é confortável a situação que vivemos e que uma aventura não vale a pena. É assim quando casamos e achamos mais conveniente isso do que viver aventuras solteiro, é assim quando decidimos seguir uma carreira em uma empresa e não largá-la por coisas menos seguras. É assim quando optamos por ir ao mesmo restaurante pois sabemos como ele tem uma comida ótima e o atendimento é impecável.

Mas se tudo isso faz sentido, por que ousar então? Você já sabe a resposta. É na ousadia que avançamos, ou quebramos a cara. As vezes o medo é tão grande por quebrar a cara que decidimos não ousar. E nem estamos mais felizes na nossa zona de conforto. Estamos só nos protegendo de quebrar a cara. Existem ousadias cuja chance de você quebrar a cara é mesmo grande. Saiba: o sabático não é uma delas.

Em um sabático o medo maior não é a saída e sim a volta. Muitos dizem: Como vou largar um emprego ou uma carreira por um ano? Perderei oportunidades, chances de crescimento, outros empregos” … Ou Ao voltar, estarei descapitalizado, é muito arriscado voltar sem nada garantido.” São situações que se podem resolver (em preparando o bolso falamos mais sobre isso), mas veja que mesmo que elas estejam nem resolvidas, nossa mente ainda nos distrai com pensamentos negativos. Há que se levar em consideração que o sabático em si vai te trazer muitos benefícios que contribuirão com sua volta: você estará mais descansado, mais decidido, mais focado, terá mais clareza do que quer, voltará com mais energia para onde estava ou terá a garra necessária para mudar de área. Não conheço nenhum caso de alguém que voltou de um sabático e se perdeu. Todos, eu disse todos, que conheci, ao contrário, se acharam.

Como podemos então preparar a cabeça para começar a organizar um sabático? Primeiro, devemos abrir mão de nossa vida estruturada. Talvez toda a vida você lutou por querer uma vida estruturada e agora que conseguiu, estão te propondo largar tudo. Veja, não é isso. Você pode voltar para sua vida estruturada depois do sabático. Você pode até fazer um sabático bastante estruturado. Mas permita-se abrir sua mente ao desconhecido. Não dói. Se você tem horários para tudo, no sabático você não precisa ter. Se o seu padrão é realizar determinadas tarefas pela manhã, você pode alterá-las no sabático. Você não vai almoçar com sua mãe todo domingo, você não terá que acordar cedo para levar o cachorro pra passear (você deixou o cachorro com alguém).

Outra importante decisão, aliás, fundamental: Não compare seguindo seus padrões. Se você vai pra India, não cabe comparar o trânsito de lá com o nosso. Se você fizer isso, provavelmente achará muita coisa ruim. Abra-se para o novo, para o diferente, tente não julgar conforme suas crenças. Observe, desfrute da experiência como se você tivesse ido a Marte.

Nós sabemos: você tem medo. É normal, todos temos. Pode se abrir aqui enquanto lê. Não negue seu medo, não o enfrente. Uma vez, aprendi uma coisa muito importante com um professor de paraquedismo: O medo é como uma cortina. Você o atravessa. É importante que ele exista. O dia que deixar de existir, você estará correndo riscos e não saberá medi-los. O medo existe para que o atravessemos. Isso foi ótimo de ouvir, dito por um instrutor de paraquedismo. Eu estava mesmo morrendo de medo! Atravessei-o, saltei, gritei como um louco no ar e cá estou. Feliz por ter realizado essa aventura.

Nossos medos em geral nos paralisam. Acredito que milhares, provavelmente milhões de pessoas não realizam um sabático porque paralisam diante da ideia. É uma paralisia tão imediata que muitos nem percebem, nem se permitem ter o desejo de realizar um sabático. Vivem sua vida alertando aos outros que jamais fariam, que isso não dá certo, que não vale a pena. São os fantasmas que nos cercam. São aquelas pessoas, conhecidas nossas, que querem nos proteger, alertar, cuidar. Mas estão na verdade protegendo-se. Recentemente viajamos para o sul do Brasil e estávamos perto de um parque sensacional chamado Aparados da Serra. O dia estava nublado e perguntamos a um frentista de posto se o caminho era aquele. Ele disse que sim, mas que era longe, que ia chover, que deixaríamos o carro longe da trilha e que nos molharíamos, enfim, eram tantos empecilhos que quase desistimos, mas fomos. Pegamos uma estrada ótima, o céu se abriu, o carro ficava a poucos metros de um mirante incrível e ainda pudemos fazer uma trilha longa sem nos preocuparmos com a chuva, que veio muitas horas depois. Então além de enfrentar seus medos, prepare-se pra enfrentar os medos dos outros. Você vai ouvir muita gente querendo te convencer pra desistir. Prepare-se, siga firme, atravesse a cortina do medo, e salte.

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Lançamento do livro dia 25/2: https://www.facebook.com/events/216405105215051

 

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